Às vezes, a melhor opção a se
tomar é estar a sós com seu “eu”. “Eu” cruel e impiedoso, promotor frio e
acusador brutal. É nesse momento que sua bela aparência se depara a uma
essência medrosa e melindrosa, que se esconde por trás de sua própria inocência,
e a leva a um julgamento ganho, sem direito a juiz, testemunhas ou defesa...
É quando sua mente lhe aponta o
dedo e mostra que os ladrilhos que você pisa são feitos de amizades
aproveitadoras, amores ilusórios, alegrias mentirosas e interesses vãos – e
está a ponto de se desfazer a qualquer momento.
É quando o conto de fadas acaba,
o romance chega ao fim, o sorriso vira cinzas novamente, a valsa descompassa, o
silêncio atormenta, cada lembrança evoca o choro, os sonhos frustrados
perturbam e o mundo PARA!... na escuridão de um piscar de olhos, que ao abrir é
obrigado pela aparência a acompanhar a falsidade de um belo sorriso.
Estar sozinho faz parte da
construção de um caráter próprio e verdadeiro. É você se confrontando a
melhorar sem direito a dar “desculpas”. É aquele ‘eu’ te cobrando o novo: um
novo começo, uma nova chance a si – ou a alguém que o orgulho mascara a falta.
É o momento em que você mesmo suplica em busca da felicidade, do hedonismo,
desafiado num breve momento de êxtase de auto-sinceridade.
A solidão pode ser a angústia de
quem ama, como disse Vinícius, mas também pode ser a nova oportunidade de quem
sonha (ou pelo menos quer).
HL

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